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‘De ordinária à amiga da irmã’: cultura do estupro é hit e toca toda hora nas rádios


cultura
Esta postagem foi publicada em 1 de junho de 2016 Notícias Barra Lateral, Surreal.

Letras de músicas naturalizam situações de violência sexual contra a mulher

É o Tchan: só mais uma entre centenas de grupos e compositores que fomentam a cultura do estupro / Reprodução
É o Tchan: só mais uma entre centenas de grupos e compositores que fomentam a cultura do estupro / Reprodução

“O califa tá de olho no decote dela. Tá de olho no biquinho do peitinho dela. Tá de olho na marquinha da calcinha dela. Tá de olho no balanço das cadeiras dela”

A violência sofrida por uma jovem de 16 anos no Rio de Janeiro que ganhou repercussão mundial na semana passada levou a pauta feminista para o topo das discussões. Por causar indignação, o estupro coletivo provocou debates e até a visibilidade de termos até então pouco usados de forma tão abrangente

O que talvez você não saiba, entretanto, é que a música, tanto no Brasil como em todo o mundo, tem responsabilidade sobre este crime. Como? Vamos explicar.

O termo ‘cultura do estupro’ é utilizado para designar uma série de construções culturais que se refletem na manutenção de um sistema machista e patriarcal, ou seja, com a figura masculina tomada como principal referencial onde, consequentemente, a figura feminina é subjugada. Na prática, isso significa que homens são historicamente ensinados, seja por ordens tácitas dos país ou pela assimilação de construções sociais presentes em diversos elementos soltos por aí, para serem dominantes sobre a mulheres. E por dominantes, é ok entender, também, o direito sobre o corpo delas.

Seja nas instituições que legislam contra a autonomia feminina e direitos sobre o próprio corpo, seja nas relações sociais fundamentadas no machismo e na misoginia, mulheres são corpos subalternos. E até que discussões sobre isso venham à tona – como em casos bárbaros a exemplo da semana passada – o senso comum continua a empurrar ao coletivo a afirmativa de que uma mulher que veste roupas ‘ousadas’, que bebe cerveja com amigas ou que apresentem qualquer leitura de comportamento lascivo está ali com o objetivo de ser assediada. Estupro é ok, já que a mulher está ali, pedindo para fazer sexo.

Só que não.

O problema, todavia, é ainda inda mais complexo e generalizado: muito embora haja que reverbere o machismo de forma afirmativa, a força da cultura do estupro localiza-se numa zona de discursos muitas vezes incólume, porém, diariamente repetidos e que responsabilizam apenas a mulher à violência que é submetida. A cultura do estupro está reproduzida nos símbolos e representações mais etéreas e subjetivas da nossa sociedade: seja na caracterização superficial de uma mulher na telenovela, seja na publicidade que subjuga o corpo feminino, seja nas paradas de sucesso que tocam nas rádios. É aqui que a música entra nesse esquema.

Música e cultura do estupro, tudo a ver

“Dói, um tapinha não dói. Um tapinha não dói”

A música é o locus onde se observa com mais facilidade a cultura do estupro, afinal, escutar música no rádio é grátis e uma prática considerada universalizada. Nela, a cultura do estupro é tão presente que chega a estar banalizada, perceptível, mas relativizada, o que facilita a assimilação deste discurso.

MC Pikachu: funk e cultura do estupro / DivulgaçãoMC Pikachu: funk e cultura do estupro / Divulgação

E não há muitas exceções, da música sertaneja, passando pelos hits do É o Tchan na década de 1990 aos clássicos da MPB de 80, 100 anos atrás, a inferiorização da mulher é uma constante, como apontado na pesquisa de doutorado do professor da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) Manoel Pinto Ribeiro, que descreve o lugar social da mulher na música popular brasileira no período de 1930 a 1945.

“As letras do cancioneiro popular nesse período trazem discursos hegemônicos que representam a imagem da mulher como submissa, presa ao lar, dependente do marido. São elementos sedimentados com a tradição judaico-cristã que são transliterados até hoje, numa demonstração de poder do patriarcalismo, especialmente aquele que se cristaliza na burguesia brasileira”, afirma.

Ribeiro também traz que parte das músicas do período pesquisado fazem uma clara associação da mulher com a figura de Eva. A partir daí, as representações do feminino como sinônimos de pecado, do mal e, portanto, “domínio do homem”.

 

 

Um destes clássicos é ‘Ai, que Saudade da Amélia, composta por Mário Lago e Ataulfo Alves. Fez tanto sucesso que o nome Amélia tornou-se sinônimo de submissão feminina no imaginário popular, alimentando o estereótipo acerca de donas de casa, como o “lugar da mulher na sociedade”. Diferente, portanto, de ‘Com açúcar e com afeto’, canção de Chico Buarque eternizada na voz de Nara Leão, que narra em tom dramático os dissabores da submissão feminina.

O passar das décadas, entretanto, traz discursos ainda mais agressivos. A mulher que foge do padrão ‘Amélia’ é alvo claro (e clássico) de violências discursivas de gênero e da cultura do estupro. Como na música que ganhou repercussão após ser gravada pelo MC Pikachu, um cantor de funk adolescente. “Tava no fluxo, a novinha parou no sinal. Sabe o que ela quer? Pau! Pau! Ela quer pau!”, traz a composição.

Contudo, a música sertaneja da nova geração, cada vez mais mesclada com o forró, é onde se observa a manutenção do discurso opressor. Michel Teló, uma dos cantores mais bem sucedidos atualmente no gênero, faz sucesso com ‘Amiga da minha irmã’, que narra o assédio de um homem sobre uma adolescente. O grupo Aviões do Forró tem canção com os versos “taca cachaça que ela libera” e “gatinha mamadinha vai, corre pro abraço“.

 

 

Mea Culpa

Quem sai na contramão a prática misógina da cultura do estupro é o rapper Criolo, que há 15 anos lançava a música ‘Vasilhame’, em seu primeiro disco. Recentemente, o artista afirmou que o disco foi relançado com alterações na música, que trazia discurso transfóbico. Na versão original, os versos trazem: “Os traveco tão aí, oh! Alguém vai se iludir”. A nova versão trouca ‘traveco’ por ‘universo’. “Quando você é jovem, pode magoar alguém sem saber. Não porque você é mau, mas porque ninguém falou para você que aquilo poderia ser ruim. Não foi só essa modificação que fiz nas letras. Revi tudo e mudei aquilo que não tinha necessidade de ficar. Não tenho problemas em dizer que errei”, disse ao jornal O Globo.

Cantor alterou letra de música transfóbica / Divulgação
Cantor alterou letra de música transfóbica / Divulgação

 

Neste caso, por mais que a mudança de letra não se relacione, especificamente, com o incentivo à violência sexual, o exemplo de Criolo fortalece a ideia de que as práticas de desconstrução são o caminho para uma sociedade sem cultura do estupro, como afirma a doutora em Antropologia Social pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Maria Regina Ribeiro Reis. Ela sugere, inclusive, que as mobilizações femininas são fundamentais para inibir a disseminação do machismo e a apologia a violência sexual. “A violência contra a mulher vem em forma de entretenimento, é assimilada. Então as mulheres precisaram se organizar em torno das causas que empoderam direitos e exigem respeito”, conclui.

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